RH, você também é responsável, mas não está sozinho

Setembro inicia com um convite para uma conversa difícil: Prevenção ao suicídio. E de conversas difíceis o RH entende bem. Mas esta é ainda mais complexa, tanto que precisa de atenção não apenas em um mês do ano, mas nele todo.

A campanha Setembro Amarelo chega apenas para reforçar um cuidado que precisa fazer parte do dia a dia das empresas ininterruptamente. Prevenção ao suicídio: como fazer isso? Estamos realmente preparados para este tema?

Você está preparado para falar sobre a prevenção ao suicídio?

O fato é que precisamos estar, porque há uma chamada importante para isto: de acordo com a Organização Mundial da Saúde, 90% dos suicídios que acontecem ao redor do mundo poderiam ser prevenidos com uma rede de apoio em torno da vítima.

Esta rede pode ser a família, os amigos, mas por que não, o lugar onde esta pessoa passa grande parte do seu dia, o seu local de trabalho?

Incentivar uma conversa, mostrar que a pessoa não está sozinha, usar um laço amarelo. São pequenos atos válidos e bem-vindos, mas a pauta é mais profunda. Se alguém com ideação suicida chamar você para conversar, você estará pronto para agir de forma correta?

Antes de refletir mais da prevenção ao suicídio, vale destacar que assim como outros tipos de comportamentos autodestrutivos, o suicídio é um complexo problema de saúde mundial e os aspectos que incorporam este trágico desfecho são de ordem multifatorial, abrangendo questões biológicas, de conteúdo genético, fatores ambientais, psicológicos, econômicos e sociais.

Exatamente por esta razão, seus desdobramentos e impactos afetam as mais diversas esferas da sociedade, assim como: família, comunidades, igrejas, escolas e empresas em que os indivíduos estão inseridos.

Fazendo-se necessário, portanto, pensar em estratégias transversais e eficazes para a prevenção do suicídio em nosso meio social.

Estratégias para Prevenção ao Suicídio

Pensando especificamente nas organizações, destacamos o fato de que os gestores estão em posição estratégica dentro do ambiente de trabalho para atuar como fomentadores da prevenção do comportamento suicida, por meio da utilização de estratégias de prevenção que envolvam:

  • Intervenções nas relações interpessoais;
  • Promoção da cultura da paz;
  • Identificação dos sinais de alerta;

Além de ser aquele que poderá fornecer apoio de primeira instância aos colaboradores que precisarem de cuidados ou encaminhamento a algum serviço de saúde.

Embora a figura do gestor tenha um papel fundamental, é importante que todos se empenhem em compreender e identificar quais são os fatores de risco que denotam provável intenção de suicídio e, com isso, serem tomadas as melhores medidas para impedir este episódio extremo.

Neste assunto, o RH não pode estar sozinho, a responsabilidade deve ser compartilhada.

Fatores de risco para suicídio

O primeiro passo é o conhecimento sobre o tema. Há dois tipos de fatores de risco para suicídio que devem ser considerados; os fatores predisponentes, ou seja, aqueles que se relacionam com as experiências vivenciadas ao longo do desenvolvimento humano, que propiciam sofrimento psíquico e referem-se a eventos que fragilizam e põem em risco a integridade física e mental dos indivíduos.

E os fatores precipitantes, que seriam acontecimentos recentes e atuais que se manifestam como gatilho para as situações de risco.

Para auxiliar na compreensão de tais riscos, vejamos mais detalhes, a partir de cinco categorias:

  • Fatores de risco psicopatológico

Evidências científicas apontam a presença de algum transtorno mental possivelmente não tratado ou tratado inadequadamente na maioria dos casos de suicídio. Os transtornos mentais mais comuns associados ao suicídio são: depressão, transtorno bipolar, dependência de álcool e de outras drogas psicoativas, esquizofrenia, transtorno de personalidade.

  • Fatores de risco psicológico

Perdas recentes, perdas de figuras parentais na infância, eventos adversos na infância e na adolescência (maus tratos, abuso físico e sexual), dinâmica familiar conflituosa, personalidade com traços significativos de impulsividade e agressividade, instabilidade emocional, alta introversão, ausência de crenças religiosas.

  • Fatores de risco recorrente

Presença de modelos suicidários; histórico de morte por suicídio de familiares, como pais, filhos ou cônjuge; ameaça ou ideação suicida com plano elaborado.;

  • Fatores de risco de natureza clínica

Determinadas doenças físicas apresentam também significativa associação com os comportamentos suicidas, são elas: síndrome de dor crônica, doenças neurológicas, infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV).

  • Fatores sociodemográficos 

Os fatores sociodemográficos indicam um grupo específico que está mais inclinado a cometer suicídio, dentre eles, são: pessoas do sexo masculino, embora as mulheres realizem mais tentativas, homens somam mais óbitos por suicídio; pessoas nas faixas etárias entre 15 e 35 anos e acima de 75 anos; residentes de áreas urbanas; desempregados (principalmente perda recente do emprego); pessoas com dificuldades financeiras; pessoa com problemas legais; pessoas alvos de preconceito e discriminação, como refugiados, imigrantes, indígenas e pessoas LGBTQIA+.

O que fazer 

1) Ouça sem julgar.

Deixe a pessoa falar sem interrupção e faça com que ela se sinta ouvida. Encontre um momento apropriado e um lugar calmo para falar sobre o assunto com a pessoa.

Deixe-a saber que você está lá para ouvir, ouça-a com a mente aberta e ofereça seu apoio. Responda com gentileza e cuidado.

Incentive a pessoa a procurar ajuda de profissionais de serviços de saúde, de saúde mental, de emergência ou apoio em algum serviço público. Ofereça-se para acompanhá-la a um atendimento.

Pergunte se a pessoa está pensando em suicídio. Se você acha que essa pessoa está em perigo imediato, não a deixe sozinha!

Procure ajuda de profissionais de serviços de saúde, de emergência e entre em contato com alguém de confiança, indicado pela própria pessoa.

2) Assegure-se de que a pessoa com quem você está preocupado no seu ambiente de trabalho não tenha acesso a meios para provocar a própria morte.

Vale acrescentar um cuidado com o horário de chegada e saída, para que este colaborador não seja o primeiro nem o último a sair da empresa.

3) Fique em contato para acompanhar como a pessoa está passando e o que está fazendo constantemente.

Acompanhe a pessoa e ofereça apoio na transição da crise para a recuperação. Fora do horário de trabalho, certifique-se que este colaborador é acompanhado por algum familiar ou amigo, em especial em situações de crise.

4) Crie um plano de ajuda, com o que fazer e para quem ligar quando alguém necessitar de auxílio e que esse plano seja compartilhado por todos os colaboradores.

O que não dizer?

Embora muitas vezes situações de crise possam nos deixar confusos e sem saber direito o que fazer, é importante lembrar o que nunca deve ser feito ou dito para alguém que passa por esse tipo de situação, com o risco de agravar o seu sentimento.

  • Condenar, julgar ou dizer coisas como: “Isso é covardia”, “É loucura”, “É fraqueza”;
  • Banalizar: “É só por isso que quer morrer?”, “Já passei por coisas bem piores e não me matei”;
  • Opinar: “Você quer chamar atenção”; “Isso é falta de vergonha na cara”;
  • Dar sermão: “Tantas pessoas com problemas mais sérios que o seu, siga em frente”. “Você tem tudo que precisa para ser feliz”;
  • Frases de incentivo vazias: “Levanta a cabeça, deixa disso”; “A vida é boa”; “Isso é besteira”, “É só uma fase, espera que passa”;

A informação é sempre a melhor forma de prevenção e a melhor ajuda é a profissional. Mas, a ação imediata ao reconhecer uma pessoa em sofrimento emocional, estimulando que ela fale sobre seus sentimentos e se sinta acolhida, é o que pode lhe devolver o brilho nos olhos e a esperança de viver.

E vale lembrar, a responsabilidade é de todos, porque a vida é uma causa de todos! 

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Fonte: Portal RH

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